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A Advocacia: o Discreto Alicerce da Liberdade e dos Negócios

Na sociedade contemporânea, repleta de contratos, obrigações, prazos e regulamentos, o advogado surge como aquela figura discreta mas indispensável, sempre presente nos bastidores das decisões mais relevantes, tanto da vida pessoal como da empresarial. Se a justiça é o alicerce da democracia, a advocacia é a engrenagem silenciosa que garante o seu funcionamento diário — com rigor, com ética, e com um olhar atento à realidade de cada cliente.

Contrariamente ao que se possa pensar, o advogado não é apenas aquele que se ergue nos tribunais com ar solene, munido de códigos e argumentos. É também, e cada vez mais, um parceiro estratégico, um conselheiro de confiança, um verdadeiro escudeiro dos negócios. O empresário moderno sabe que cada contrato mal redigido pode transformar-se numa dor de cabeça futura; que cada sociedade mal estruturada pode resultar num impasse; e que cada omissão legal pode ter custos elevadíssimos. E é aí que entra o advogado — não como o bombeiro que chega após o incêndio, mas como o detector de fumo que evita que o fogo sequer comece.

Podemos, se quisermos, comparar o advogado a um seguro — está lá para quando as coisas correm mal, mas também para evitar que corram mal. É um alarme silencioso, mas vigilante. No verão, talvez seja mais justo dizer que o advogado é o nadador-salvador: coloca as bandeiras, avisa quando o mar está perigoso, e, se necessário, mergulha para salvar. No inverno, é o para-raios que protege da tempestade legal iminente. Seja qual for a estação do ano, é prudente tê-lo por perto.

Existe ainda a ideia persistente de que consultar um advogado é caro. Nada podia estar mais longe da verdade. Caro, na realidade, é não o fazer. Caro é agir sem rede, sem aconselhamento, sem prever riscos. O advogado é, muitas vezes, o travão que evita o abismo, o olhar exterior que vê onde o cliente já não vê, o profissional que pensa no que ainda nem aconteceu — e por isso mesmo evita que aconteça. É um investimento. E dos bons. Um investimento em segurança, em tranquilidade e, acima de tudo, em prevenção.

A presença do advogado é valor acrescentado desde o momento da constituição de uma empresa até ao seu crescimento e consolidação: nas questões societárias, nos contratos com fornecedores e clientes, nas relações laborais, na comunicação institucional e até na resolução de conflitos que, quando bem geridos, nem chegam a escalar. Em todas estas frentes, o advogado oferece não só o conhecimento técnico, mas também a experiência estratégica que protege, sustenta e potencia a actividade empresarial.

A advocacia não é um luxo. É uma necessidade. Tal como ninguém se aventuraria a atravessar o oceano sem bússola, mapa ou colete salva-vidas, também ninguém deveria empreender — ou mesmo viver — sem o acompanhamento jurídico adequado. O Direito é, afinal, o que permite que os negócios prosperem, que os contratos se cumpram, que os litígios se resolvam e que a confiança impere. E o advogado é o seu intérprete por excelência.

E se, por um momento, imaginarmos um mundo sem advogados? Um mundo onde os contratos seriam redigidos “de ouvido”, os litígios resolvidos por duelos de espada ao nascer do sol, e os negócios fechados com um aperto de mão… e cruzando os dedos. É verdade que talvez o mundo parecesse mais simples — mas também seria infinitamente mais arriscado, mais injusto e menos civilizado.

Por isso, e como costumo dizer, durma descansado, consulte um advogado.

Raul Corte Real