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Mentira: A Sabedoria de Não se Abandonar

Há experiências que nos atravessam o corpo e a alma. A mentira, a falsidade e a dor de ser enganado, seja no trabalho, nos relacionamentos, na família, nas parcerias ou nos grupos, não se escondem verdadeiramente. Podem ser disfarçadas por palavras, sorrisos ou gestos, mas o nosso sistema nervoso capta tudo.

Porque há coisas que o corpo sente antes mesmo da mente compreender.

E talvez o mais difícil não seja perceber a mentira, mas fingir que não se percebe. Manter a postura. Continuar a sorrir. Continuar a aparecer. Porque socialmente, espera-se que se engula em seco, que se siga em frente, que se perdoe rapidamente.

Só que por dentro, o corpo, sábio como é, começa a gritar em forma de ansiedade, cansaço, tristeza ou até doença.

NÃO, não é fácil.

O Corpo Sabe

A Neurociência já comprovou que o nosso sistema nervoso capta sinais antes da mente racional os processar. Microexpressões faciais, variações no tom de voz, gestos involuntários, tudo é registado pelo cérebro emocional. O corpo reconhece a incoerência entre o que é dito e o que é verdadeiramente sentido.

Porque, tal como nos diz Deepak Chopra – “A mente pode mentir. O corpo, nunca.”

É por isso que, mesmo sem provas, muitas vezes sentimos que algo está errado.

A intuição grita, o estômago aperta, o sono foge.

Ainda assim, quantas vezes tentamos calar esse saber interno?

Ficamos onde dói porque, em algum nível profundo, acreditamos que precisamos pertencer, agradar, salvar ou compensar.

Não percebemos que não é mais preciso estar onde não há Verdade. Começamos a agir por impulso, por medo, por defesa.

O Tempo da Cura

Houve tempos em que a mentira, a falsidade e a traição me adoeciam.

Perdia-me a tentar entender o outro, perguntando o porquê, procurando lógica em atitudes que só causavam dor. Carregava o peso de coisas que não eram minhas, achava que, se eu compreendesse, poderia controlar, mudar ou evitar que tudo aquilo se repetisse.

Hoje, larguei esse peso, caminho em paz.
Compreendi que não posso mudar o outro, nem controlar as suas escolhas.
Mas posso, e devo, cuidar de mim.
Agora, vivo atenta, tranquila e desapegada.
Atenta aos sinais, à minha intuição, aos limites que preciso colocar.
Tranquila porque confio em mim e na vida.
Desapegada da necessidade de agradar, de entender tudo, ou de manter por perto o que já não me faz bem.

O Espaço do Silêncio Consciente

A liberdade emocional vem quando deixamos de nos prender ao que foge do nosso controle e passamos a cultivar o que está nas nossas mãos: nosso equilíbrio, nossa verdade e nossa paz.

Nem sempre é preciso reagir de imediato.
Por vezes, o mais sábio é calar, mas com consciência.

Um silêncio que observa, sente, reflete.
Um espaço onde não nos abandonamos, mesmo quando o mundo exige que finjamos normalidade.

Como dizia Viktor Frankl:

“Entre o estímulo e a resposta existe um espaço. Nesse espaço está o nosso poder de escolher a nossa resposta. Na nossa resposta reside o nosso crescimento e a nossa liberdade.”

Estar em silêncio pode ser um ato de coragem. Um tempo necessário para não reagir em dor, mas responder com consciência. No entanto, esse silêncio não pode tornar-se autoabandono.

A verdade precisa de espaço para respirar. Mesmo que doa.

O Regresso ao Poder Pessoal

É por isso que é tão essencial o caminho do autoconhecimento.
Cada passo dado rumo a nós mesmos — pela escuta interna, pela cura emocional, pela consciência — fortalece-nos.

A mentira dos outros pode ferir. Mas é a nossa omissão que mais nos magoa.

Quando estamos alinhados com a nossa verdade, deixamos de tolerar o que nos diminui.

“Quando mudamos a forma como olhamos para as coisas, as coisas que olhamos também mudam.” — Wayne Dyer

Escolher Não Se Trair

Descartes disse: “Penso, logo existo.”
Mas os novos paradigmas, integrando ciência e espiritualidade, mostram-nos que “Sentimos, logo vivemos.”

Nós somos mais do que pensamentos.
Somos presença, energia, intuição, campo de possibilidades.

A vida pede coragem. Nem sempre para confrontar os outros… mas, acima de tudo, para não nos traímos a nós próprios

Porque mesmo quando a verdade dói, é ela que nos liberta e é nesse reencontro connosco que a esperança renasce.

Em Amor, com Carinho e Verdade

Paula Francisco